Falhas nas críticas do Professor Bechara e ABL

março1

Ernani Pimentel

Em recente entrevista dada à jornalista Lygia Freitas, da Folha Dirigida, o professor Evanildo Bechara, que representa a Academia Brasileira de Letras no assunto Acordo Ortográfico, veio a público responder às críticas promovidas pelo movimento http://www.acordarmelhor.com.br em relação ao referido Acordo e às posturas assumidas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa – VOLP. O leitor que quiser conhecer em detalhes essas críticas, basta acessar o site recém-indicado.
A rigor, a ABL, por intermédio de Bechara, não consegue convencer em nenhuma de suas respostas, apesar do grande esforço despendido em subterfúgios, na tentativa de esconder e alterar os fatos, bem como deles desviar-se.

Entrevista com Evanildo Bechara
FOLHA DIRIGIDA - 9 A 15 DE FEVEREIRO DE 2010

“Governo nunca deixa o problema ortográfico ao bel prazer das academias”

“Nenhuma ortografia, de nenhuma língua do mundo, é perfeita”. As palavras, ditas pelo integrante da Academia Brasileira de Letras, Evanildo Bechara, traduzem a polêmica que ainda gira em tomo do Acordo Ortográfico, assinado pelo governo brasileiro pelas outras nações de Língua Portuguesa no final de 2008 e que entrou em vigor no país no dia 1o de Janeiro de 2009.
Em entrevista á FOLHA DIRIGIDA, o imortal rebate críticas feitas á reforma, assim como ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, e explica como aconteceu todo o processo de formatação do Volp, considerado pelo governo federal veículo oficial do Acordo e comandado por ele.
Bechara diz acreditar que o decreto da unificação da Língua Portuguesa poderá colaborar para o intercambio cultural entre os países envolvidos, além de servir para fortalecer a representação internacional dos mesmos. Ainda segundo ele, as críticas do professor Ernani Pimentel ao Acordo, publicadas pela FOLHA DIRIGIDA, não são fundamentadas.

FOLHA DIRIGIDA - O SENHOR TEVE ACESSO À ENTREVISTA DADA PELO PROFESSOR ERNANI PIMENTEL A FOLHA DIRIGIDA. O SENHOR CONCORDA COM AS CRITICAS APRESENTADAS QUANDO AO ACORDO E AO VOLP?
Evanildo Bechara - Não concordei, mas não apenas por não concordar. Não concordei porque as razões apresentadas não são razões fundamentadas. Por exemplo, no primeiro tópico, ele diz da … leia mais [+]

Resposta do Prof. Ernani Pimentel:
Na sua primeira resposta com relação ao nosso argumento de que os que pensaram e assinaram o Acordo não conheciam a nossa realidade de comunicação atual, diz o acadêmico: Ora, isso está totalmente “furado” pois: o homem já tinha chegado à lua e nenhum dos países que estão hoje na vanguarda da tecnologia, como Estados Unidos, China e França, entre outros, precisou reformar a ortografia, que não foi objeto de obstáculo para seu desenvolvimento. Nosso comentário: O argumento de o homem ter chegado à lua não comprova que esteja “totalmente furada”, ou sequer “parcialmente furada” a afirmação de que em 1975 nossas comunicações estavam em estágio muito primitivo, se comparado com o atual. Basta lembrar que a imprensa – no Brasil e em todos os países lusófonos – comunicava-se por telex, um equipamento do tamanho de uma mesa de escritório, onde um datilógrafo – quem se lembra? – bem treinado dedilhava as teclas “perfurando aquelas fitas malditas” – expressão espontânea de um amigo ex-diretor de importante rede de jornais – que, ao passarem por determinado equipamento, cuja função era decodificar tais perfurações, provocavam o aparecimento de linhas escritas com letras e palavras… Páginas de livros, revistas e jornais eram montadas por um método manual de “sobrecolagem” sucessiva de linhas corrigidas (chamava-se pastup), quando um redator precisava do esforço conjunto de datilógrafos, revisores e editor para produzir um único texto. A era do telex e da datilografia! O Acordo ortográfico é da era do telex e da datilografia. Como era trabalhoso datilografar uma carta com três cópias, usando papel-carbono entre as folhas… Para corrigir ou substituir uma palavra, tínhamos de girar para cima o rolo da máquina para abrir as folhas escritas, incluir um papel isolador entre cada uma delas e o carbono, passar cuidadosamente a borracha e a escovinha para tirar do papel aquela palavra, no original e em cada uma das cópias… Tudo isso pronto, retiravam-se os isoladores dos papéis-carbono, voltava-se com o rolo à posição original, torcendo-o e torcendo para que a máquina permitisse o deslize simultâneo e preciso dos papéis e dos carbonos (o que às vezes não ocorria)… Se tudo isso desse certo, cabia-nos, então, encontrar outra palavra com o mesmo número de letras ou menor para substituir a anterior, preenchendo corretamente o espaço. Qualquer erro… jogava-se tudo no lixo e começava-se o texto outra vez. E para pesquisar… era necessário ir até uma biblioteca, localizar um livro, esperar que o encontrassem e o pusessem sobre sua mesa para ser consultado em determinado horário, findo o qual, seria recolhido e no dia seguinte novamente disponibilizado… Hoje a editoração é eletrônica e um único profissional é capaz de produzir em menos tempo o mesmo que o faziam vinte naquela época. Hoje, a tecnologia online que vivemos nos conecta ao mesmo tempo com bibliotecas, museus e jornais do mundo inteiro, sem que precisemos sair de nossa cadeira. Hoje a comunicação online imprimiu uma velocidade de informação jamais e sequer imaginada na época em que se pensava e se assinava esse acordo ortográfico. Se a velocidade de informação instituída na passagem do século XIX para o XX fez com que este se distanciasse e se independesse daquele, produzindo o movimento modernista de 22 e os seus sucessores, agora a supervelocidade e onipresença do mundo cibernético e virtual produziram padrões de pensamento e sinapses tão mais velozes, que o homem atual, muito mais motivadamente precisa se independer do passado e ajustar-se ao presente. Os nossos falantes (internautas, virtuais, cibernéticos, ou não) precisam de que lhes ofereçamos um alfabeto simples e racional a fim de que não percam mais tempo para saber se se escreve com j ou g, com s, ss, ç, x, ch… a fim de que não mais precisem decorar exceções… Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, ou seja, todos os povos que se comunicam em Português, precisam de regras simples, claras, lógicas e sem exceções. Todos merecem viver felizes sem gastar tempo com essas superfluidades, ilogicidades e excepcionalidades de uma ortografia, cujo padrão sequer é do século passado, mas vem acumulando incoerências desde sempre. Queremos uma ortografia de e para o nosso século XXI.
A informação de que nenhum dos países que estão hoje na vanguarda da tecnologia precisou reformar a ortografia , a qual não foi objeto de obstáculo para seu desenvolvimento… 1. não é verdadeira, porque a Alemanha – país vanguardista da tecnologia – promoveu exitosa reforma ortográfica recentemente, como também o fizeram pelo menos duas outras importantes nações, uma do Oriente e outra da Europa; 2. é retrógrada porque se baseia no pressuposto arcaico de que o Brasil devia “seguir os países mais avançados”. Hoje, temos consciência de que foi enfrentando e nos independendo de modelos impostos por eles, que o Brasil conquistou e vem conquistando mais respeito e influência. Em 1975, a realidade nossa no contexto internacional era uma, e hoje se mostra absolutamente outra, exatamente porque passamos a acreditar em nós mesmos. Não precisamos seguir os outros, precisamos fazer o que é bom para nós. 3. O argumento de que a ortografia não foi obstáculo para desenvolvimento dos países… não se sustenta por si, e se apoia numa lógica às avessas, segundo a qual uma “não reforma ortográfica não é obstáculo para o desenvolvimento”. O que nos interessa saber objetivamente é: uma reforma ortográfica pode trazer desenvolvimento mais acelerado? Estamos convictos de que sim. E compete a nós construí-la. Queremos uma ortografia de e para o nosso século XXI, apesar de esse item não ser necessariamente o nosso “carro-chefe”, como supõe o acadêmico. O nosso carro-chefe é o repúdio ao tratamento autoritário, preconceituoso e retrógrado dado à ortografia e a luta por uma atitude democrática e racional que mais facilmente reúna nossos povos.

FOLHA DIRIGIDA - TODAS AS REFORMAS ORTOGRÁFICAS DA LÍNGUA PORTUGUESA FORAM MUITO CRITICADAS. POR QUÊ?
Evanildo Bechara - Nenhuma ortografia, de nenhuma língua do mundo, é perfeita, porque é muito difícil você transliterar os sons da fala para a representação gráfica. Afora esta deficiência, ainda existe … leia mais [+]

Resposta do Prof. Ernani Pimentel:
Na resposta à segunda pergunta da jornalista, o acadêmico Bechara, após longa exposição do óbvio, declara: “Mas diz o professor Ernani que esse Acordo não foi antecipado de uma pesquisa. Nem precisava sê-lo. Porque estas propostas de reforma e simplificação da ortografia vinham sendo propostas desde 1885, passando por várias reformas. A primeira delas foi a de 1911, em Portugal.” Nosso comentário: Em nosso modesto entendimento, a lógica desse raciocínio não se apresenta com a necessária consistência que o tema requer. Essa discussão de sistema fonético ou fonológico não cabe aqui, mas é lamentável um acadêmico querer criticar posições que levianamente nos atribui. Justifica-se que se fez um Acordo, sem pesquisa de nossos radicais para simplificar-lhes a grafia, porque propostas vinham sendo apresentadas desde 1885… O acadêmico vem a público dizer que não se precisa proceder a um levantamento minucioso dos radicais, porque as propostas de simplificação da ortografia vêm ocorrendo de longa data?! A realidade que se esconde por trás dessa outra evasiva do professor Bechara é que, de fato, nunca se fez em Língua Portuguesa uma pesquisa detalhada da grafia dos seus radicais, o que nós mesmos sugeríramos ao professor Houaiss em 1980. Essa pesquisa é importante sim para podermos eliminar uma série de duplas grafias e simplificar nossa maneira de escrever.

FOLHA DIRIGIDA - ERNANI TAMBÉM QUESTIONOU A AUTORIDADE DA ABL PARA PUBLICAR O VOLP QUAL É A SUA OPINIÃO?
Evanildo Bechara - Ele que diz que as Academias não têm autoridade para emitir opiniões definitivas sobre ortografia. É um engano. Eu tenho aqui, por exemplo, a reforma de … leia mais [+]

Resposta do Prof. Ernani Pimentel:
Motivado pela terceira pergunta da jornalista, o acadêmico discorreu didaticamente, oferecendo uma mostra de sua erudição, supôs desacertadamente que desconheçamos determinadas páginas de Fernando Pessoa e, infelizmente demonstrou não ter-se conscientizado de que a Academia Brasileira de Letras e a Academia das Ciências de Lisboa, sozinhas, em pleno século XXI, tornaram-se insuficientes para ditar regras autocraticamente. Primeiro, porque em cada uma dessas Academias existe no máximo um ou dois gramáticos. É de se indagar por que não foi convidada também a Academia Brasileira de Filologia – Abrafil, que congrega vários filólogos, para também participar das discussões. Segundo, porque as democracias, na era da informática, tornaram-se mais fortes em virtude até de o conhecimento e as opiniões circularem mais livremente e não ser mais possível imaginar que as cabeças pensantes estejam circunscritas nos espaços acadêmicos. O de que necessitamos para um bom trabalho de simplificação e racionalização da ortografia é reunir lingüistas, filólogos, gramáticos, escritores, advogados, jornalistas, sociólogos, filósofos, professores, pedagogos, e quem mais tenha contribuição a dar para a formulação de uma ortografia que apresente os seguintes pontos positivos: 1. Regras lógicas e encadeadas racionalmente, de tal forma que uma seja conseqüência da anterior, e motive a seguinte; 2. Eliminação de exceções e duplas grafias; 3. Definição de apenas uma letra para cada fonema consonantal, sempre que possível.

FOLHA DIRIGIDA - ELE TAMBÉM QUESTIONA A FALTA DE PESQUISAS E CONSULTA NA ELABORAÇÃO DO ACORDO. QUAL É A SUA OPINIÃO SOBRE O ASSUNTO?
Evanildo Bechara - Se as propostas de reforma ortográfica já vêm sendo preparadas desde 1985, não há porque fazer mais pesquisa prévia. Cada reforma que veio, veio resolvendo … leia mais [+]

FOLHA DIRIGIDA - INDEPENDENTE DAS QUESTÕES POLÍTICAS, O BRASIL JÁ PEDIA UMA REFORMA ORTOGRÁFICA?
Evanildo Bechara - Não. Todos os países sentiam as dificuldades criadas por uma diversidade ortográfica e … leia mais [+]

Resposta do Prof. Ernani Pimentel:
No tocante às respostas da quarta e quinta perguntas da jornalista Lygia Freitas, queremos chamar a atenção para o fato de que um sistema ortográfico racional, técnico e eficiente, torna-se muito mais que um fator de aproximação dos povos, uma ferramenta eficiente de educação e um agente de projeção internacional da língua. Os benefícios ultrapassam, em muito, essas boas perspectivas. Vale pensar, por exemplo, no resultado econômico, porque se tornará muitíssimo mais fácil, rápido e eficiente ensinar e aprender a escrever o português e, depois de alfabetizado, ninguém mais precisará de dicionário para ver como se escreve esta ou aquela palavra, indiscutivelmente uma melhora na qualidade de vida da população lusófona. O trabalho de redação e revisão na imprensa e nas editoras se tornará tão mais eficiente, que poderá baratear o custo dos livros, revistas, apostilas, jornais etc. Além disso, se, para um estrangeiro, aprender a escrever em português for mais fácil do que em italiano, em francês, ou em espanhol… estaremos aumentando a possibilidade competitiva de nossa língua internacionalmente.

FOLHA DIRIGIDA - A INCUMBENCIA DA ABL NA ELABORAÇÃO DO VOLP É QUESTIONADA. O QUE O SENHOR ACHA?
Evanildo Bechara - O acordo, para entrar em vigor no Brasil, precisou primeiro da aprovação das casas legislativas. Agora, para que esta reforma pudesse ser um instrumento de força nacional, era preciso que houvesse um decreto sancionando … leia mais [+]

FOLHA DIRIGIDA - COMO ISSO FOI RESOLVIDO?
Evanildo Bechara - Em primeiro lugar, a regra geral para a implantação da 5ªedição era a obediência ao acordo de 1990. Mas acontece que o acordo, as vezes, não atendia … leia mais [+]

FOLHA DIRIGIDA - CITE OUTROS EXEMPLOS EM QUE A ABL PRECISOU DAR SUA INTERPRETAÇÃO.
Evanildo Bechara - Em alguns, a academia seguiu um outro caminho, mas sob a égide do Acordo Ortográfico, nada foi criado por nós. Um ponto que nós fizemos e que não … leia mais [+]

Resposta do Prof. Ernani Pimentel:
Nas respostas às perguntas seis, sete e oito, nosso respeitado acadêmico tece considerações superficiais sobre o papel do Governo e da ABL, demonstrando belo prazer em deliciar-se com a casca e desprezar a polpa da fruta, o cerne do problema. Quando diz que o “Governo nunca deixa o problema ortográfico ao bel prazer das academias”, esquece-se de falar que os governos nunca deram a importância devida ao problema ortográfico, limitando-se a um fazer de conta, criando uma ou outra comissão que sempre se encastelou e nunca realmente discutiu o assunto aberta e amplamente. Indo mais fundo, nenhum governo até hoje se preocupou em organizar o ensino da língua portuguesa, até mesmo por desconhecimento da força propulsora intelectual que cada língua carrega. Ao afirmar que “Não desobedecemos o acordo, como disse o professor Ernani” e “nós estivemos sempre debaixo do guarda-chuva do acordo”, pretende sugerir ao leitor que a ABL, por seu intermédio, cumpriu fielmente o que prescreve o acordo e as leis que o suportam, o que não é verdade: O acordo diz em seu Art. 2º que “Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa”. Esse VOCLP, como o nome indica, era para ser elaborado em conjunto com os demais países signatários, o que não aconteceu. Então a ABL, por si só, lançou a 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa - VOLP, na intenção de torná-lo o porta-voz do acordo, sem qualquer respaldo legal, desobedecendo claramente ao Art. 2º já mencionado e transcrito. Não bastando esse desrespeito ao acordo, a ABL afronta pela segunda vez a lei, porque incluiu no VOLP, sem discussão com os demais signatários, 15 alterações ao texto original, ora justificáveis, ora absurdas, ora discutíveis, embora sempre não discutidas com a comunidade, mas, no conjunto, todas autoritariamente impostas. Todos os brasileiros, inclusive os professores de português, devemos obedecer à lei, e a lei é o Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008, da Presidência da República, que promulga o Acordo Ortográfico “para ser executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém”(Art. 1º). E no acordo, não estão os prefixos a, an, co, re, pre, pro que a ABL inclui no VOLP; no acordo, há várias reticências nas listas de exceções, que foram retiradas no VOLP, alterando o significado e a intenção originais; no acordo, quando se fala em espécies bio ou zoológicas, não existe o conceito confuso de “produtos afins” que a ABL incluiu, desautorizadamente, no VOLP. Tudo o que acabamos de ver demonstra e prova que a ABL e o VOLP, ainda que de forma não intencional, ou até mesmo bem intencionada, ultrapassam as fronteiras do que estabelece a lei; e sabemos todos que ninguém pode colocar-se acima da lei. Isso quer dizer que nenhuma prova de português, incluindo concursos e vestibulares, e nenhum professor da matéria pode ter o VOLP como referência, tendo que se ater apenas ao texto original do acordo, um texto eivado de erros técnicos, como de redação, de conceituação, de contradição, de imprecisão, de fuga ao tema, de ilogicidade… erros dos quais o leitor pode tomar conhecimento no site www.acordarmelhor.com.br sob o título TEXTO OFICIAL DO MOVIMENTO ACORDAR MELHOR PARA A AUDIÊNCIA NO SENADO. Erros que demonstram que tarefa dessa magnitude não pode ser entregue apenas às academias. No passado essas limitações acadêmicas, que sempre foram maiores do que aparentam, não vinham à tona. Hoje a internet nos permite divulgá-las e também jornais como a Folha Dirigida, comprometidos com a isenção jornalística.

FOLHA DIRIGIDA - ESTAS NECESSIDADES DE INTERPRETAÇÃO CHEGAM A DEMANDAR UMA REVISÃO DO ACORDO?
Evanildo Bechara - Não. Isso demandaria o seguinte: nos fizemos a 5ªedição, Portugal está fazendo o … leia mais [+]

Resposta do Prof. Ernani Pimentel:
Ao responder à nona pergunta, o acadêmico sugere que venham apor reparos ao acordo os mesmos signatários responsáveis por todos os absurdos aqui demonstrados, absurdos que ele considera apenas “pequenas discrepâncias”. Um acordo que não passa de uma colcha de retalhos e sobrerremendos já puídos, que através de séculos de ilogicidade e de autoritarismos nos tem sido imposta… Não. Não. Não. Em pleno século XXI, na era da internet e do conhecimento compartilhado, isso não é mais possível.

FOLHA DIRIGIDA - ENTÃO, A SOLUÇÃO SERIA A ELABORAÇÃO DE UM VOCABULÁRIO FEITO POR DIVERSAS MÃOS?
Evanildo Bechara - Não é um vocabulário feito por diversas mãos, mas com a colaboração de outros para um consenso. Se você estabelece soluções diferentes, não vai alcançar … leia mais [+]

Resposta do Prof. Ernani Pimentel:
Na décima resposta, a voz da academia novamente se engana ou se propõe a enganar. Quando a repórter lhe perguntou se o vocabulário deveria ser feito por diversas mãos, a resposta foi negativa, quando deveria ter sido positiva, pois a lei define que o vocabulário é da alçada dos “Estados signatários, através das instituições e órgãos competentes” e não só da ABL. Em seguida, amparado pela trajetória de sua biografia, mas de maneira visivelmente deselegante, o professor Bechara atribui-nos, injustificada e categoricamente o erro de desconhecimento rudimentar da teoria e história da língua. Não, senhor acadêmico, a presunção não convive com a sabedoria, o erro talvez seja seu de não querer entender que, embora tenham as palavras estender e extensão entrado no português em épocas diferentes, ambas têm a mesma origem, o latim, onde são escritas com x , e, por isso, não há qualquer motivo para escrever-se estender, estendedor, estendedoiro ou estendedouro, estenderete, estendido, estendível… com s, enquanto extensão, extensibilidade, extensível, extensividade, extensivo, extenso, extensor… se grafem com x, a não ser que se queira o ensino-aprendizagem baseado na decoreba, como se tem feito até hoje. A ortografia deve ser vista, no século XXI, como a ferramenta fundamental para o ensino, não só da língua, como também de qualquer outro ramo do conhecimento. A visão histórica da língua é muito importante no plano acadêmico, mas a ortografia é ferramenta a ser usada por toda uma população que se interessa por milhares de diversos outros assuntos, onde os detalhes etimológicos sequer existem. Ao cidadão comum, 95% ou mais dos usuários, que escrevem com interesse referencial ou informativo, a metalinguagem do acadêmico não interessa e, por isso, não se pode a todos impor-se. Sob esse aspecto, não há que focar as circunstâncias em detrimento da essência. As circunstâncias são as explicações de como e quando as palavras entraram na língua e a essência é que estender entrou erradamente com s em português e isso precisa ser corrigido para que saibamos escrever sem precisar decorar. Eis um dos motivos pelos quais o debate sobre a ortografia precisa ser amplo e aberto.

FOLHA DIRIGIDA - O SENHOR ACREDITA QUE OACORDO FAVORECE O INTERCAMBIO CULTURAL ENTRE OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA?
Evanildo Bechara - Claro que sim. Se você tem uma firma e os empregados se vestem diferentemente, não sabe a quem se dirigir. É por isso que … leia mais [+]

FOLHA DIRIGIDA - POR QUE OS OUTROS PAISES DEMORARAM TANTO A IMPLANTAR O ACORDO?
Evanildo Bechara - O professor Ernani comete um outro engano quando diz que na implantação da reforma, só o Brasil … leia mais [+]

Resposta do Prof. Ernani Pimentel:
Quanto à décima segunda resposta, é possível que esteja também equivocada, porquanto em Portugal, o Ministério da Educação informou que não implantará o acordo em 2010. Também não parece haver muita clareza no que possa significar terminologias científicas e técnicas, pois, no Século XXI, surgem indagações e conhecimentos que, quando foi assinado o acordo, não existiam, parecendo hoje impossível, racionalmente, definir os limites de tecnologia, ciência, religião etc.

FOLHA DIRIGIDA - O SENHOR É TOTALMENTE FAVORÁVEL AO ACORDO?
Evanildo Bechara - Se eu não vestisse a camisa do acordo, não estava aqui. Fico triste porque as vezes em um … leia mais [+]

Resposta do Prof. Ernani Pimentel:
Na décima terceira resposta, evidencia-se uma dose acentuada de preconceito e certo quinhão de intolerância com a visão plural e as opiniões alheias. Abandona-se a rica discussão substantiva (as críticas formuladas) e busca-se o debate acessório (o apequenamento pessoal do crítico).

FOLHA DIRIGIDA - A ACADEMIA ESTÁ ENTRANDO NUMA ERA MAIS TECNOLÓGICA, INCLUSIVE COM A EDIÇÃO VIRTUAL DO VOLP. O SENHOR ACREDITA QUE ISSO APROXIMA A ORTOGRAFIA DA POPULADO COMO UM TODO?
Evanildo Bechara - Sim, isso é natural. Outro dia uma professora me disse que os alunos não tinham noção de fatos de História e Matemática. Hoje o ensino está muito ruim e … leia mais [+]

Nossa posição em relação ao acordo precisa ser melhor entendida. Não estamos contra, inclusive ensinamos a nova ortografia. Mas somos categoricamente afirmativos de que precisamos trabalhar urgentemente para aperfeiçoá-la no sentido da racionalidade e praticidade que nos beneficiará a todos.

O caminho para o avanço passa pelos oito itens a seguir, coligidos até o momento.

  1. Prioridade governamental: Apoio efetivo do Governo Federal, do Congresso Nacional, dos Ministérios que envolvem Cultura, Educação, Comunicação e Relações Exteriores.
  2. Levantamento e padronização gráfica dos radicais.
  3. Pesquisa acelerada de novas propostas ortográficas.
  4. Instituição de um mínimo de regras (concatenadas, convergentes e lógicas).
  5. Eliminação de exceções.
  6. Eliminação de duplas grafias.
  7. Discussão democrática e aberta.
  8. Criação de um organismo competente, aberto democraticamente à participação de quem tenha a língua escrita como ferramenta ou que com ela se preocupe, com a responsabilidade de ensinar, divulgar, manter e defender os princípios aprovados e acordados.

Ernani Pimentel
Brasília, 22 de fevereiro de 2009
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7 Opiniões para

“Falhas nas críticas do Professor Bechara e ABL”

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  1. Em 11/05/2010 às 15:31 ernani Disse:

    Luiz Serra. Você percebeu bem que o nosso ilustre acadêmico se esforça, mas não encontra argumentos consistentes para contradizer nosso movimento. Aliás, quem mais se mostra despreparado em relação a uma visão lógica e coerente da ortografia, são infelizmente os representantes da ABL e ACL, que assinaram e defendem os absurdos do Acordo. A nossa luta independe de Acordo, queremos é simplificar a ortografia para termos regras claras, simples, lógicas, sem exceção, sem dupla grafia, para nos independermos do cicionario na hora de escrever.

  2. Em 11/05/2010 às 15:24 ernani Disse:

    José Martines Carrasco. Obrigado por suas palavras e parabéns pela sensibilidade e percepção acuradas.

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