G ou J?
Imagine que a nossa grafia evolua e a letra J passe a se chamar jê e seja a única a representar esse som fricativo, contínuo. Mudar o nome facilita gravar o som da letra: jê+a= já: janela, jê+ê=jê: jelo, jê+i=ji: jiló, jê+ô=jô = jogo, jê+u= ju: justa.
E a letra G passe a se chamar guê, sendo a única a representar o som oclusivo, momentâneo. A mudança do nome põe em evidência o som da letra: gata, geixa (som de gueixa), gisado (som de guisado), gosto, gusa.
Raciocine e perceba que a alfabetização passa a ser muito mais fácil e rápida, o que significa dizer muito mais barata e eficiente. Quantos milhões de horas deixam de ser gastos no ensino-aprendizagem! e como o aluno fica tranquilo! para usar j ou g, quando precisa escrever as palavras …eito, …ente, …irafa, …irau, …ibi, …iba (erva medicinal), …ibão, pois o som diz que todas devem ser grafadas com j. Até os já alfabetizados logo podem deixar no passado as dúvidas que hoje os assolam para preencher as referidas lacunas, ora com uma letra, ora com outra (jeito, gente, girafa, jirau, gibi, jiba (erva medicinal), gibão), sem a menor noção de por quê.
Quanto ao uso da letra G, passa a não existir qualquer dúvida para os iniciantes porque, antes de qualquer vogal, terá sempre o som de guê, sem precisar do u antes de e ou i, assim: g+a= ga (gato); g+é= gé, com som gué (gerra); g+ê= gê, com som guê (geto), g+i= gi, com som gui (ginada); g+ó= gó (gole); g+u= gu (guru). Os alfabetizados logo, logo se acostumarão com a economia do u antes de e ou i e preencherão facilmente as lacunas com apenas a letra G para representar o som guê: …ole, …epardo, …izo, …iné, …ôndola. Na hora de escrever, quanta economia de tempo! E como fica mais fácil! Foi só eliminar a letra não pronunciada, acabando com o dígrafo gu, antes de e ou i.
E, mais uma vantagem, contamos gratuitamente com a eliminação do trema, sem permitir dúvida na leitura. Se a letra U aparece escrita entre G (guê) e E ou I, é porque deve ser pronunciada: aguenta, linguiça.
Como o trema foi extinto, os que estão aprendendo a língua, e encontram escritas as palavras enguiça e linguiça, gastam tempo para procurar a pronúncia correta, se o u deve ou não ser pronunciado. Esse problema não existe com a diferença entre J (gê) e G (guê): engiça (pronúncia: enguiça), linguiça (pronúncia: lingüiça).
A rigor, podemos simplificar muito a nossa maneira de escrever, tornando-a tão racional e lógica que ganharemos tranquilidade e tempo, e nos tornaremos livres e independentes de incontáveis pesquisas em dicionários.
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Ernani Pimentel
Professor, Escritor, Gramático, Conferencista.
Brasília, 23 de dezembro de 2009